sexta-feira, 18 de março de 2016

Geração Desdita

Cena V

(Personagens sendo filmados e projetados simultaneamente em diversos tamanhos de monitores espalhados pelo espaço cênico)

B = Estou preocupada.
A = O que foi agora?
B = Acho que você não está bem.
B = Eu vi uma matéria na televisão e fiquei com medo filho.
B = Um médico falando sobre vícios.
B = Pessoas que ficam muito no computador…
B = Mostrou que é igual a quem usa drogas.
B = O que você está fazendo com você filho?
B = Ele disse que é igual cocaína!
B = São as mesmas partes na cabeça.
B = Fala pra mãe.
B = É por isso que você fica tanto tempo usando isso?
(Personagem mãe começa a chorar)
B = Fala a verdade pra mãe.
B = A TV mostrou um acidente horrível de carro.
B = E tudo por causa dessa droga.
B = Por que você não para com isso?
A = Mãe?
A = Não estou dirigindo
A = Estou em casa.
A = Trabalhando…
A = Que porcaria é essa que você está assistindo?
A = Você não pode ficar nervosa mãe.
A = Se acalma.
A = Você não se lembra que na sua época diziam o mesmo da televisão?
A = Ninguém mais está assistindo televisão hoje em dia mãe.
A = Eles estão falando mal do computador para tentar recuperar um pouco da audiência.
A = Estão exagerando.
A = Querem ganhar uma grana com isso.
A = Vender livros.
A = Por que esse programa que você estava assistindo não fala que os canais de televisão estão falindo?
A = Que vão deixar de existir em muito em breve.
A = Fica tranquila mãe.
A = Estamos todos fodidos mas o problema não é esse.
B = Não fala assim com sua mãe.
B = Sabe que não gosto!
B = Isso são modos?
A = Ok mãe.
A = Desculpa.
A = Mas é verdade.
B = Você devia ter paciência filho.
B = Tenho assistido seus vídeos.
B = Tenho medo.
B = Onde você quer chegar com isso?
B = Tirar o dinheiro dos bancos?
A = Mãe vê se me entende.
A = Pense numa garrafa de groselha.
A = Tudo bem?
A = Agora me diga.
A = Quantos copos de groselha eu consigo fazer com uma garrafa?
B = Não sei filho
B = Diga um número mãe
B = Uns vinte, acho eu.
A = Pois bem
A = O problema é que existem pessoas querendo fazer quinhentos copos com uma garrafa.
A = E sabemos que isso não é groselha.
A = É no máximo água suja de vermelho.
A = Temos que ter mais garrafas de groselha para isso.
A = Mas não tem ninguém produzindo.
A = Não tem ninguém fabricando outras garrafas mãe.
A = Você entende que não é possível?
A = Que não adianta dizer que estamos servindo groselha para tanta gente?
A = Entende que é pouca groselha para muita água?
A = É isso mãe que está acontecendo.
A = Eles estão pegando nosso dinheiro que é a groselha e distribuindo.
A = E dizendo que estão tirando as pessoas da miséria.
A = Mas não é verdade.
A = Eles estão aumentando a miséria.
A = Apenas sujando a agua de vermelho.
A = E gritando a todos os pulmões que estão servindo refresco para todos.
A = E o pior é que a garrafa de groselha vai acabar.
A = Não vai nem dar para tingir o copo de vermelho.
A = O dinheiro vai acabar.
A = A crise vai aumentar.
A = Nós vamos falir.
A = Ir para o buraco.
A = É sobre isso mãe.
A = É sobre isso os vídeos.
A = Temos que tentar salvar esse lugar antes que seja tarde.
A = Esclarecer as pessoas capazes de entender e que elas se juntem a nós.
A = Precisamos de mais garrafas de groselha se queremos servir refresco para todo mundo.
B = E é tirando o dinheiro do banco que vamos conseguir isso?
A = Não mãe…
A = Tirando o dinheiro dos bancos nos vamos parar esse país.
A = Obrigar as pessoas que estão no poder a tomar outro rumo.
A = obrigar a pararem de distribuir o nosso dinheiro para os outros.
B = Filho tenho de desligar.
B = Tenho de tomar os remédios e fazer a janta.
B = Te amo.
B = Tome cuidado.
B = Tenho medo.
B = Depois falamos.
A = Tá bom, mãe.
A = Beijos.

A = Vai lá.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

censura




Geração Desdita

Cena III

(Dois personagens sendo filmados e projetados simultaneamente em diversos tamanhos de monitores espalhados pelo espaço cênico)

A = E ai cara tá me vendo?
B = Ainda não…
B = Mas já estou te ouvindo.
B = A imagem deve estar chegando.
A = Você não acha que esta se expondo demais?
A = Indo longe demais com esse seu grupo?
B = Não, não acho.
B = Não tenho nada a perder.
A = E tem alguma coisa a ganhar?
A = Já leu os comentários das pessoas em seus vídeos?
A = São muito ignorantes…
A = Você não percebe?
A = Faz tempo que não nos falamos…
A = Você não responde minhas chamadas in box.
B = Não é possível…
B = Não tenho respondido a ninguém.
B = A censura foi reintroduzida no país.
B = Estou bloqueado na rede social.
B = Também ando ocupado escrevendo para o hangout.
A = Escrevendo para quem?
A = Você devia sair.
A = Ver o mundo.
A = Às vezes tenho a impressão que você pensa que nossa cidade é o país.
A = A realidade é muito diferente.
B = Não é verdade.
B = Esta tudo mundo fudido.
A = A quanto tempo você não vai em uma praia?
A = Acampar?
A = Fazer alguma coisa diferente.
A = Faz ideia de quanto tempo não tomamos uma cerveja?
A = Um refrigerante?
A = Tem certeza que você esta bem?
A = Por que eu tenho a impressão que vocês estão enlouquecendo.
B = Não estou enlouquecendo!
B = Estou no máximo deprimido.
B = O dinheiro que minha mãe recebe de aposentadoria não esta dando para ela sobreviver.
B = Não estou falando de qualidade de vida.
B = Estou falando de sobrevivência!
B = Pagar as contas, comprar os remédios…
B = Poder comprar o que comer.
B = Você não percebe que deve fazer alguma coisa?
B = Que as coisa não podem continuar como estão.
B = Que somos uma geração desdita!
A = E você pretende fazer o que?
A = Tomar o poder?
B = Eu não vou ficar assistindo o lugar onde eu vivo se transformar em uma ilha comunista!
B = A população enfrentando racionamentos de comida.
B = Apagões.
B = A doutrinação sendo vendida ao mundo como educação de qualidade.
B = Diante da realidade apontada…
B = Em breve o pais mais ignorante do mundo!
B = O sistema de saúde com médicos de exportação.
B = Com clínicas reservadas a quem paga os olhos da cara.
B = Já estamos falidos…
B = E agora vivemos uma ditadura que espiona nossos lares.
B = Nossos perfis.
B = A censura voltou ao Brasil.
B = E a herança maldita foi reintroduzida.
B = O mundo virtual não é diferente do real.
B = Você nunca leu sobre os que sobreviveram à ditadura brasileira?
B = Você fala que eu desapareci.
B = Mas estou aqui.
B = Apenas estou vivendo essa sensação horrível de uma pessoa desaparecia.
B = Onde está fulano/a?
B = “Fulano/a caiu”.
A = Eu não duvido que em breve você desapareça de verdade.
A = Ou seu telefone seja grampeado.
B = Vocês estão mexendo com gente grande.
B = Com donos de bancos.
B = Gente que tem dinheiro.
B = Acho que você vai acabar preso.
A = Preso e ninguém vai ficar sabendo.
A = Você devia nos ajudar.
B = E ser preso também?
A = Você podia me ajudar a escrever como uma empresa pode impor normas de censura a um terço da população, se a Constituição em vigor, assegura a liberdade de expressão!
A = Pode?
B = Eu não quero me envolver nisso.
B = Eu sou muito bunda mole para ser preso.
A = Ninguém vai ser preso.
A = Melhor…
A = Ninguém vai ficar sabendo.
A = Você me ajuda a escrever e somente eu assino.
B = Não!
A = Como não?
A = Quem vai saber?
B = Ninguém nem pode sonhar…
A = Fique tranquilo
A = Você escreve e eu assino
A = Pode ser?

B = Vamos escrever essa merda!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Geração Desdita

Cena II

(Personagem sendo filmado e projetado simultaneamente em diversos tamanhos de monitores espalhados pelo espaço cênico)
Estamos aqui novamente para mais um Geração Desdita!
O nosso hangout…
Que hoje tem como objetivo esclarecer algumas dúvidas.
Muitos que estiveram aqui desde o nosso último encontro deixaram algumas perguntas.
Afirmamos que em outra oportunidade dedicaremos um encontro exclusivamente ao número de insultos ou tentativa de humilhação.
Criamos uma imagem de nossa campanha.
Ela está no link logo abaixo do vídeo.
Click sobre ele e seu navegador vai abrir uma página.
Click com o botão direito do mouse e sobre a imagem a opção salvar como.
Contamos com a colaboração de todos para espalhar nas redes sociais e a todos os cantos do país a nossa mensagem.
Chega de marchas inúteis.
Retire todo seu dinheiro do banco!
Vamos mudar esse país
Sabemos que ter dinheiro no banco é uma situação que não é muito comum para nós em tempos de crise.
Essa fase de vacas magras e poucas oportunidades não esta fácil para ninguém.
Não estamos aqui para propagar mais verborreia anticapitalista.
É uma grande bobagem continuarmos se utilizando de autores de um século e meio atrás.
Nós temos uma situação completamente diferente nos dias de hoje.
Afirmar que vamos derrubar o capitalismo e implantar um novo sistema é uma grande falta de visão.
Uma besteira!
O que devemos fazer é não aumentar o poder de quem já o tem.
Sabemos é que não existe luta política sem dinheiro que a financie.
E eles somente financiam o que lhe favorecem.
Como se conseguia dinheiro antigamente para se fazer uma revolução?
Assaltavam trens, assaltavam bancos entre outras coisas mais grotescas.
Agora não precisa mais nada disso.
O banco dá o dinheiro para eles.
O banco dá o dinheiro para esses parasitas!
Portanto esse parasitas não praticam uma revolução efetiva.
É uma farsa!
Um simulacro de revolução.
O governo aumenta a cada dia seu poder de controle sobre a população.
É a ambição do poder no controle social.
E esta acontecendo hoje como nunca houve na história da humanidade.
Toda mobilização implica uma organização.
Infelizmente em nosso país toda nossa ciência social não passa de repetição e de discurso marxista socialista de cinquenta anos atrás…
Estão completamente deslocados da situação.
Concluímos que assim a ciência social fica impotente para descrever o que realmente esta acontecendo.
Frequentemente muitos nem entendem o que nós estamos falando.
Muitos não tem discernimento.
Não tem conceitos científicos adequados para descrever o que acontece.
Mas podemos afirmar que ninguém faz o que não tem meios para fazer.
Quais são os meios que o dinheiro mobiliza?
De onde vem esses meios?
Esses meios vem sempre das mesmas fontes.
Na hora do aperto o que todas pessoas costumam fazer?
Mas o que nos interessa neste momento é responder…
E o que aconteceria se todas as pessoas, de repente, resolvessem retirar todo o dinheiro que possuem em suas contas no banco?
Já pensou em o que aconteceria?
Se todas as pessoas resolvessem retirar os dinheiros de suas contas, não seria possível saírem com o pagamento em espécie.
Os bancos também possuem seus meios de girar o capital e, apesar de cofres enormes e caixas eletrônicos munidos de grandes valores em espécie, só existem 8% das notas em função do patrimônio de toda população.
O restante, os outros 92%, são virtuais e estão em transação a todo momento, sejam nas bolsas de valores, mercados de câmbio e até em empréstimos.
O mercado financeiro, trabalha com dinheiro virtual, atualmente.
Se todas as pessoas se dirigissem ao banco para retirarem todo o dinheiro que possuem, poderiam quebrar os bancos.
Por essa razão que alguns bancos delimitam valores máximos para saques, como o da conta poupança que são de determinado valor.
Para valores acima do previsto, é necessário que você vá até uma agência e solicite agendamento para saque de dinheiro.
Já parou para pensar em todo o capital existente nos bancos?
As pessoas de maior poder financeiro se unindo e exigindo uma mudança de poder ou simplesmente quebrarem, deixarem de existir.
Você tem alguma dúvida?
Espero que tenha bem respondido a principal questão e da direção que estamos tomando.
Vamos tirar os recursos do poder e forçar uma mudança.
Chega de totalitarismo.
Esse conceito político do homem como servo do Estado.
Compra de votos.
Chega de parasitas querendo se perpetuar no poder, através do aparelhamento estatal e da reformulação das leis do país.
Esse intervencionismo ultrapassado, amarrando e atrasando o progresso econômico do país.
Não podemos conviver com a produção de dossiês falsos contra opositores.
Enfim…
O nosso tempo hoje já se esgotou.

Voltaremos em breve com as razões pela qual exigimos a mudança!

chamada


Geração Desdita

Cena I

(Personagem sendo filmado e projetado simultaneamente em diversos tamanhos de monitores espalhados pelo espaço cênico)

Vivemos em tempos de hangout.
Para aqueles que ainda não sabem ou conhecem são lugares por nós frequentados.
Um ponto de encontro virtual e reunião aos dias de hoje.
Diferente de uma sociedade secreta onde os iniciados têm acesso a certos mistérios e conhecimentos e não devem ser compartilhado com as demais pessoas.
Nós não acreditamos que as pessoas sejam incapazes de compreender ou não mereçam fazer parte do que fazemos e lutamos.
Acreditamos em um mundo no qual a liberdade e o respeito pelos direitos humanos habitam os que estão conectados em todas as nações.
Sabemos que as utopias poderiam ser substituídos por um único objeto de arte conceitual.
Este objeto seria uma bicicleta ergométrica.
Sim um bicicleta ergométrica!
Ficando fácil de compreender que muitas crenças são iguais a esse aparelho eletromecânico.
Muito útil para exercícios e muito comum ao objetivo de propiciar a possibilidade de simular uma caminhada e ou uma corrida sem se deslocar.
Não é isso que desejamos.
A verdade é que lutamos contra essa paralisia e seus parasitas.
Lutamos contra esses que vivem em associação com outros nos mais diversos partidos e que de nós retiram os meios para a sua sobrevivência.
Acreditamos que estamos sendo prejudicados em nosso organismo.
Não desejamos ser hospedeiros.
Sejam bem vindos os que não desejam ser hospedeiros destes parasitas.
Esses que praticam a cafetinagem da benevolência.
Como bem foi dito em nosso último hangout…
Por que essa gente toda que está na cadeia ou usando tornozeleira, por ter participado comprovadamente dos mais agressivos atos de corrupção da história nacional, gosta tanto assim de quem esta atualmente no poder?
Gosta e paga sua campanha?
O que vivemos e o resultado que temos é a criação de um ambiente em que o grau de sucesso dos políticos é medido pela distância que os separa de uma cela.
Estar blindado!
Ou seja, não se sentir ameaçado por provas efetivas de má conduta…
Tornou-se a prioridade das prioridades, desses parasitas, e um sinal superior de competência!
Vitória, na política no nosso país é isso.
A pergunta na vida pública deixou de ser:
Está certo fazer isso?
Passou a ser outra:
Fazer isso vai me causar problemas com o Código Penal?
Se não vai, ou se for difícil a Justiça provar que vai, tudo bem…
Vamos em frente!
Estamos aqui conclamando a população a retirarem todo o seu dinheiro dos bancos.
Vamos fazer juntos uma única ação!
Vamos mudar a história e o significado de manifestação popular.
Obrigar desta forma uma mudança no poder.
Em pouco tempo teremos resposta concretas.
Pressionados eles não terão para onde correr e montarão em suas bicicletas ergométricas para vomitar utopias.
E nós daremos os próximos passos em direção a nova ordem que desejamos.
Contamos com vocês em transformar esse nosso vídeo em algo viral.
Quanto mais rápido e pessoas ficarem sabendo e se unirem a nossa vontade.

Mais rápido venceremos.